É, depois de mais de 1 ano sem atualização, finalmente as 3 pessoas que lêem esse blog podem ver algo novo hahaha.
Quero começar a falar de medicamentos/substâncias importantes da história. Vamos começar com uma introdução.
Desde o tempo das cavernas, homem vem criando ferramentas para adaptar-se ao meio e vice-versa: descobriu o fogo, a roda, a alavanca, etc. Vamos pegar o fogo como exemplo: a teoria é de que 1º o homem aprendeu a coletar fogo originado de raios que atingiram árvores secas ou queimadas naturais de florestas. Com o seu intelecto, começou a pensar a respeito(como ainda fazemos hoje), em uma maneiras de fazer fogo ao invés de depender da natureza e com bastante paciência varias maneiras foram inventadas, uso de pedra-fogo, fricção em madeira seca, etc.
E daí, o que isso tem a ver com medicamentos?
Calma, agora que eu chego lá.
É de conhecimento dos zoólogos que animais sabem propriedades medicinais de plantas por instinto (seu cachorro/gato quando está com dor de barriga comendo grama) ou por empirismo e aprendizagem por tradição (chimpanzés, gorilas, orangotangos). O homem também, mas a exemplo do fogo, não contente em apenas comer folhas, passou a processa-las (moagem, secagem, infusão, etc) a seu gosto, criando o medicamento.
E falando de medicamentos mesmo, os primeiros registros escritos vêem de Claudius Galenus (129-199 ou 217 D.C.), considerado o primeiro farmacêutico da história, ao estudar mais profundamente a manipulação de plantas com fins medicinais.

Claudius Galenus
Agora vamos ao tema do post.
O primeiro medicamento que mudou o mundo (sem exageros) foi a Penicilina, um antibacteriano. Mas não é um antibiótico?

Estrutura Química da Penicilina
Vamos começar com algumas definições importantes: antibióticos, como diz o nome, “anti” seria contra e “bio” seria “vida”, contra-a-vida certo? Os medicamentos antibióticos(que estão dentro dos quimioterápicos) incluem antibacterianos, antifúngicos, antiparasitários, antineoplásicos de origem NATURAL. O antibiótico é popularmente e erroneamente utilizado para designar quimioterápicos(que não são só para câncer) bactericidas ou bacteriostáticos.
Então eu estava falando errado o tempo todo?
Sim, mas não se preocupe, os profissionais de saúde sabem disso (presumo e tenho fé que a maioria saiba) das aulas de farmacologia/microbiologia em suas graduações. Até aqui acredito que seja o necessário para entender o que é a Penicilina.
O primeiro antibacteriano conhecido foi a arsfenamina em 1910, o Salvarsan, um antisifilítico descoberta pelo medico alemão Paul Ehrlich. Entrou em desuso com a Penicilina em 1940. Depois sugiram ainda as sulfas que tinham seus efeitos adversos antes da penicilina.

Arsfenamina(Salvarsan), derivada do Arsênio
Mas vamos ao tema do post.

Fleming em seu laboratório, olha que organização!

o Bolor (massa branca embaixo) cria um halo de inibição, impedindo que haja crescimento bacteriano(faixas turvas por toda a placa) a sua volta. Agressivo. Provavelmente foi assim que Fleming encontrou a placa esquecida pelo estagiário.
Em 1928, Alexander Fleming estudava bactérias em seu laboratório com culturas em placas de Petri. Em certa ocasião, ele precisou viajar e ficar fora do laboratório por cerca de 1 semana e encarregou o estagiário de cuidar das culturas de bacterias nas placas. Obviamente, o estagiário sumiu do laboratório assim como Fleming e as culturas estragaram. Eis que ele estava arrumando as coisas apos voltar de viagem quando percebeu que a cultura de Staphylococcus aureus estava contaminada com um bolor de Penicillium notatum. Mas sua capacidade observacional excepcional fez ele perceber que em volta do bolor formou-se uma area “vazia”onde não havia mais a colonia de bacterias formadas. Isso era um sinal que as baterias próximas ao bolor morreram e/ou não conseguiam crescer e isso fez Fleming perceber que que o bolor tinha alguma coisa que combatia a bactéria.
Após isso, Fleming conseguiu isolar a Penicilina, batizada assim devido ao genero do bolor. Tá, e daí? Bom, isolar é um passo, produzir já é outro não tão facil assim.

Ganhadores do prêmio Nobel
Acontece que a produção de penicilina purificada era muito difícil e cara na época e só depois de Howard Florey e Ernst Chain inventarem o método de produção em massa da penicilina G em 1941, época da Segunda Guerra Mundial, que ela realmente mudou o mundo. Mais tarde, Fleming, Florey e Chain compartilharam o prêmio nobel.
Anteriormente a penicilina, muitas infecções (a maior causa de morte da época) eram tratadas de maneira folclóricas e tidas como incuráveis. A Penicilina mudou a abordagem da sociedade quanto as infecções bacterianas, ago próximo do que seria hoje a cura do câncer.
Hoje, a penicilina mesmo ainda em uso, já é tida como obsoleta devido a resistência desenvolvida pelas sepas atuais de bactérias infecciosas. A gama de antibacterianos hoje é gigantesca justamente devido a adaptabilidade bacteriana a esses medicamentos.


Penicilina usada na Segunda Guerra Mundial, produzida pela Pfizer
Curiosidade 1: a Pfizer foi a primeira industria a conseguir produzir penicilina em grande escala (global) graças a sua tecnologia de fermentação, ao esforço de guerra dos EUA que foi o grande consumidor da penicilina e um investimento maciço em equipamentos que se desse errado provavelmente teria levado ela a falência. Foi a penicilina que permitiu a Pfizer atingir escala global e permitiu ela começar a ser o que é hoje.
Curiosidade 2: a Penicilina não foi patenteada propositadamente por Fleming devido principalmente a Guerra a necessidade da penicilina na época, um atitude nobre que permitiu a produção e comercialização mais barata.
Fontes:
http://archaeology.about.com/od/ancientdailylife/qt/fire_control.htm
http://blogs.triplealearning.com/2011/11/myp/myp_global/whats-cooking-the-evolution-of-modern-man/
http://inventors.about.com/od/pstartinventions/a/Penicillin_2.htm
http://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/fleming_alexander.shtml
http://pubs.acs.org/cen/coverstory/83/8325/8325salvarsan.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Antibacterial
http://www.pfizer.com/about/history/1900_1950.jsp
Proximo post: o Segundo medicamento que mudou o mundo