Porque a Caralluma foi proibida?

A Caralluma fimbriata é uma planta carnuda (não sei se é um cactus, não arrisco dizer por não achar uma fonte confiável) que seca, pulverizada e encapsulada recentemente fez um sucesso absurdo por prometer emagrecimento, e a ANVISA proibiu.

Imagem que mais achei quando procurei por Caralluma fimbriata no Google Imagens

O proposto mecanismo de ação da Caralluma fimbriata diz que a perda de peso ocorre porque ela possui glicosídeos (e talvez outros compostos secundários) de efeito similar ao hidrixicitrato(HCA), presente na Garcia cambogia, outra planta da India. O HCA inibe uma enzima do nosso corpo chamada citrato liase, envolvida na Síntese de Lipídeos (formação de gordura), impedindo a conversão de citrato em Acetil-Coa que segue a via da síntese de lipídeos.

Ainda como um efeito secundário hipotético, os glicosídeos da C. fimbriata e o HCA inibem nosso apetite por ação no Sistema Nervoso Central.

E porque raios a ANVISA probiu?

A ANVISA proibiu porque ela não testou se nas cápsulas têm a Caralluma fimbriata seca e pulverizada ou pó de rato e também sem esse teste não dá para saber a “potência” do medicamento.

Como assim “potência”?

Vamos lá, com “potência” eu quero dizer quantidade de compostos secundários. Plantas variam esses compostos devia a diferenças de clima, solo, temperatura, tempo de crescimento e vários outros fatores que estimulam ou não a produção deles. Funciona como vinho: varia as características de sabor, cor e odor de acordo com a safra porque cada safra teve condições climáticas diferentes, por tanto, produção de compostos secundários diferentes.

O Divine Shen é produto chinês e com suspeita de ter sibutramina na composição. Sem comentários.

Não é o 1º e nem o último exemplo que pressa em se ganhar dinheiro impede que estudos mais aprofundados sejam realizados antes de lançar um medicamento novo no mercado. Talvez os fabricantes sabiam que medicamentos de emagrecimento são modas passageiras ou tiveram medo de acontecer o que aconteceu com o Rimonabanto (medicamento que emagrecia de verdade, mas causava depressão maior e outros distúrbios psiquiátricos).

Parece que pesquisas só valem a pena mesmo para medicamentos de uso crônico como antineoplásicos, antihipertensivos, cardioativos, imunossupressores, etc.

Referências:

SIMÕES,  C.M.O.  et  al.  Farmacognosia da  Planta  ao  Medicamento, 6ªed. Editora da UFSC e UFRGS Editora. Porto Agre, 2007.

U.S. Food and Drugs Administration

Folha.com

Anúncios

Sobre Bruno Koyama

Farmacêutico curioso inato por tudo.
Esse post foi publicado em Emagrecimento, Medicamentos. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s